A maternidade e os telhados de vidro

Virada de ano é tempo de avaliar o ano que passou e projetar o que se inicia na intenção de viver melhor.

Nesses últimos dias de 2015 eu venho rindo de mim mesma e recebendo pedradas no meu telhado de vidro. Sim, as mesmas pedras que eu joguei em telhados alheios noutras épocas.

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A maternidade, como nenhuma outra vivência, tem me ensinado que julgar as escolhas dos outros é uma hipocrisia sem tamanho. Porque o erro do outro só é condenável até que você se veja em situação semelhante e precise “errar” também.

Eu já condenei quem amamentava crianças maiores, até ter um menino de 2a5m pendurado no peito.

Já repudiei quem dormia com os filhos até perceber que levantar pra amamentar 7x numa noite e trabalhar no dia seguinte era insano.

Já balancei a cabeça pra quem permitia que o filho saltasse refeições ou se recusasse a comer até que o meu mais velho trancou a boca e decidiu viver de leite materno.

Já torci o nariz pra quem oferecia comida não saudável pra criança até ficar feliz por ver meu filho que agora não come nada se acabando num prato de mandioca (aipim/macaxeira) e peixe fritos.

Já tive vontade de tocar a campainha da vizinha de baixo pra saber porquê a filha dela chorava tanto e ela não fazia nada até o meu começar a chorar sem motivo e eu não saber o que fazer.

Já recriminei quem levava babá pra viagem de férias até viajar sozinha com a cria e voltar um bagaço sem ter podido respirar.

Já questionei quem tinha babá no fim de semana até vibrar de alegria quando meus pais aparecem aqui no sábado e eu consigo fazer uma lista de compras ou guardar umas bagunças.

E a lista não termina nunca porque é muito fácil apontar o dedo sem considerar que o contexto de cada maternagem é único; que cada mãe, por mais bem informada que seja, terá limites pessoais e familiares que desenharão suas escolhas; que a maternidade real é bem diferente das teorias de mães de Facebook que fazem tudo “certo” o tempo todo.

Pois minha resolução para 2016 é julgar menos a maternagem alheia lembrando que meu telhado também é de vidro e de que é preciso mais empatia e acolhimento do que sermões e críticas para mudar a maneira como a nossa geração enxerga a infância.

“Portanto, você, que julga os outros é indesculpável; pois está condenando você mesmo naquilo em que julga, visto que você, que julga, pratica as mesmas coisas.” Romanos 2:1

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