Amamentação e volta ao trabalho – parte I – Por que manter o aleitamento materno

Publicado no Facebook em 3 de janeiro de 2014

“Num país de contradições em que o Ministério da Saúde preconiza aleitamento materno exclusivo até 6 meses, mas a CLT só garante 4 meses de licença maternidade, continuar amamentando parece impossível!

Se ouvirmos alguns pediatras então, faremos introdução alimentar aos 4 meses ou até algumas semanas antes disso para “acostumar o bebê” antes de retornar ao trabalho.

O fato é que é possível continuar dando leite materno e trabalhar. Exige esforço e disciplina por parte da mãe e boa vontade do cuidador. Se o bebê for pra creche, aí há que se contar com uma dose extra de sorte, pois, por mais absurdo que pareça, muitas creches não aceitam oferecer leite materno aos bebês!

Depois de um mês de preparação, ordenhando todos os dias e treinando Filipe pra tomar leite no copinho estamos prontos!

Volto ao trabalho na segunda-feira e vou segura de que ele será bem cuidado pelos avós Salviano e Solange e continuará bem nutrido com meu leitinho!

Feliz e muito, muito grata aos grupos de apoio como Grupo Virtual de Amamentação, Aleitamento Materno Solidário e Calma Consultório de Aleitamento Materno pelas informações preciosas partilhadas.”

Desde que publiquei esse post no meu perfil do Facebook, recebo muitas mensagens de mães que se aproximam do final da licença maternidade e não sabem por onde começar para manter o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês, conforme orienta o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria.

Com o nascimento do blog e a possibilidade de me aprofundar um pouco mais em relação aos temas de uma maternidade consciente, resolvi começar uma série de posts sobre amamentação e volta ao trabalho. Sim, uma série, porque o assunto gera tantas dúvidas que não é possível abordá-lo num único post.

ordenha trabalho

Começo falando porque investir no aleitamento materno exclusivo até o sexto mês, afinal, ninguém se motiva a fazer algo fora do comum se não estiver realmente convencido dos benefícios de sua decisão.

Porque manter o aleitamento materno exclusivo mesmo voltando a trabalhar?

Porque é bom para o bebê

  • O leite materno é o alimento mais completo que existe para o bebê. É capaz de suprir todas as necessidades nutricionais dele nos primeiros sei meses, não sendo necessária a oferta de engrossante, mingau e outros alimentos;
  • O leite materno continua conservando suas propriedades nutricionais e sendo, até o primeiro ano de vida, a principal fonte de nutrição para o bebê;
  • O leite materno é uma substância viva e, por mais investimentos que se faça em fórmulas que o substituam, nenhuma delas será tão completa quanto ele. Portanto, substituir o leite materno pela fórmula trará perdas nutricionais para o bebês;
  • O aparelho digestivo dos bebês é imaturo aos 4/5 meses para lidar com outros alimentos que não sejam o leite materno, que é de fácil digestão e não sobrecarrega os aparelhos digestivo e excretor do bebé;
  • Protege o bebê contra muitas doenças, uma vez que carrega propriedades imunizantes, além de nutritivas e diminui as possibilidades de surgirem problemas alérgicos, respiratórios e também de algumas doenças que costumam se manifestar mais tarde, tais como obesidade, pressão alta, colesterol alto e diabete.

Porque é bom para a mãe

  • Amamentar diminui as chances de ocorrência do câncer de mama, de ovário e de diabete da mulher que amamenta;
  • A ordenha do seu próprio leite fará com que seu corpo mantenha a produção, mesmo com sua ausência, o que diminui os riscos de queda de produção e desmame precoce.

Porque a legislação trabalhista te dá condições para manter o aleitamento materno exclusivo

  • Empresas com mais de 30 funcionárias maiores de 16 anos são obrigadas, por lei, a disponibilizar espaço para que as crianças em amamentação permaneçam enquanto a mãe trabalha, ou reembolsar o valor gasto com a creche (esse valor é estabelecido por Convenção Coletiva e nem sempre corresponde ao valor integral);
  • Até os 6 meses de vida do bebê, a mãe tem direito a dois intervalos adicionais de 30 minutos cada que não se confundem com o descanso regulamentado. Algumas empresas permitem que esses dois intervalos sejam emendados, aumentando o horário de descanso e permitindo que a mãe vá em casa amamentar, por exemplo, ou permitindo que a mãe chegue uma hora mais tarde ou saia uma hora mais cedo. Mas ainda nos casos em que não há negociação, esses dois intervalos podem ser usados para ordenhar o leite durante o expediente.

E por fim, porque é possível ordenhar seu próprio leite, estocá-lo e oferecê-lo ao bebê durante sua ausência.

Não é fácil. Exige disciplina e determinação, mas os benefícios são muitos e, com uma boa rede de apoio, é possível chegar aos seis meses de aleitamento materno exclusivo, mesmo com uma licença maternidade de apenas 120 dias.

No próximo post da série, falarei um pouco sobre a ordenha.

Referências

http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cartilha_mae_trabalhadora_amamenta.pdf

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