Parto não é obsceno!!!

Há poucos dias mostrei à minha mãe e a meu marido um lindo ensaio fotográfico de um parto domiciliar com bebê pélvico (quando nascem primeiro as pernas pra depois sair a cabeça). Lembro de ter dito à minha mãe: “veja logo porque é bem provável que esse álbum seja denunciado e saia do ar em pouco tempo”. Dito e feito, logo depois as fotos mais lindas dos pezinhos da bebê saindo foram censuradas. O motivo? Denúncia por violência explícita.

O blog Maternar, da Folha Uol, apresenta as justificativas do Facebook para esse tipo de censura:

“O  Facebook informa que não proíbe fotos de parto, mas que as políticas da empresa não permitem nudez de qualquer tipo, ou seja, também estão proibidas fotos, por exemplo, de modelos e índios nus. Pelas políticas do Facebook, as páginas de apoio ao parto natural na rede social precisam de critério na  hora de publicar fotos de mulheres durante o parto. O Facebook pode ser usado por crianças a partir dos 13 anos e a ideia é equilibrar os interesses de todos que utilizam a ferramenta.” (veja a matéria completa aqui)

Fico a pensar na incoerência das coisas. Quer dizer que uma criança de 13 anos não pode ver uma imagem de uma mulher parindo porque de alguma forma ela estará nua ou semi-nua, mas pode ser bombardeada por centenas de fotos de mulheres com suas genitálias tampadas em posições eróticas e sensuais??????

Uma mulher em trabalho de parto e no momento do parto, esteja ela toda vestida ou com parte de seu corpo à mostra NÃO É UM OBJETO SEXUAL! Ela é uma mamífera parindo sua cria. Há muitas formas de se erotizar uma foto sem tirar a roupa de quem posa e vemos isso diariamente nas redes sociais, inclusive de meninas e adolescentes, nos seus selfies em frente ao espelho.

É uma pena que os denunciantes ainda não compreendam que parir é normal, é fisiológico, é natural, tem que tirar a roupa e é lindo!!!!!!!!!! A maldade costuma estar nos olhos de quem vê.

Em reação à enorme quantidade de bloqueios de fotos de parto, ativistas do parto e amamentação lançaram uma campanha intitulada #partonãoéobsceno. Veja a chamada para a mobilização:

“Nós ativistas do parto e amamentação temos acompanhado com bastante frequência o bloqueio de fotos, pessoas e páginas no facebook, denunciadas sem qualquer motivo.
Perdem com isso fotógrafa/os e profissionais que tem seus trabalhos censurados, perde a sociedade que deixa de ter acesso a imagens belíssimas e carregadas de informação, perdem mais uma vez as mulheres, que tem seus corpos novamente controlados pelo outro, que nem ao menos se mostra.
Esta semana a fotógrafa Line Sena compartilhou um álbum de parto belíssimo e teve suas fotos, perfil e página bloqueados pelo facebook. As pessoas que compartilharam uma de suas fotos simplesmente viram a imagem desaparecer, sem explicação nenhuma. Ela está com a conta monitorada e impedida de se comunicar normalmente por aqui.
A gota d’água foi quando ela recebeu a notificação, nesta quinta, de que uma foto sua tinha sido denunciada por violência explícita. Mas o que é violência no parto?
É kristeller, é episiotomia, é mulher amarrada certo? Infelizmente não. Para o FB violência é uma imagem de placenta. Justo a placenta, fonte de vida de nossos bebês dentro do nosso corpo, órgão espetacular, temporário e fundamental a todos nós.
Para protestar contra esse falso moralismo do facebook e alguns de seus usuários convocamos a todas: mulheres, fotógrafos, doulas, parteiras e quem mais quiser a:
1) Segunda-feira 30/03 – postarem fotos de placentas logo pela manhã na sua timeline com a #partonãoéobsceno
2) Terça-feira 31/03 – postarem suas fotos de parto bloqueadas ou não e repetir #partonãoéobsceno
Texto elaborado em colaboração por fotógrafas de parto com participação da própria Line Sena”

Para que as pessoas entendam o quão lindo um parto pode ser, é necessário desconstruir tabus e estigmas em torno desse evento.

Aqui fica a minha contribuição, porque #partonãoéobsceno

3 - o parto (38)

Doula – Ana Boulhosa GO – Sônia Sallenave EO – Suzana Montenegro Mãe – Ívina Salviano Pai – Sadam Lima Bebê – ainda não sabíamos, mas era Filipe saindo de mim e vindo pros meus braços no momento mais sublime das nossas vidas. Foto de Kuara Fotografia

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