Para ter criatividade, resiliência e coragem é preciso brincar!

tec - carrinho “Para ter criatividade, resiliência e coragem é preciso brincar!” Este é o tema da Semana Munidal do Brincar de 2015 que acontece entre os dias 24 e 30 de maio e é realizada pela Aliança pela Infância. Segundo Renate Keller Ignacio, Conselheira da Aliança pela Infância brincar é importante para desenvolver a resiliência (capacidade de superar, de se recuperar de adversidades) porque

“A capacidade de resistir às intempéries da vida e sair fortalecido de crises graves, depende do desenvolvimento de uma confiança inabalável no sentido da vida, e do sentimento de fazer parte de um todo maior. Isto as crianças experimentam na infância ao brincar: na brincadeira a criança mergulha no mundo da imaginação que por sua vez tem a origem nas forças criativas atuantes no corpo em desenvolvimento. Tudo é interligado, as coisas tem inúmeros significados, inúmeras soluções ou possibilidades. Frustrações podem ser vividas e superadas, flexibilidade é exercitada. A criança que brinca a partir de si mesmo, se acalma, respira profundamente e entra num estado de bem estar, onde ela sente uma profunda confiança na existência [grifo meu]. Esta confiança se transforma na idade adulta em fé na vida, em fé em si próprio e no seu destino. Esta fé é a base da resiliência.”

Essa é uma verdade que experimentamos de maneira muito forte nos dias de internação de Filipe. Assim que a pediatra nos informou que ele não voltaria para casa, começamos a pensar em estratégias para entretê-lo num pequeno quarto de hospital e a primeira que nos veio à mente foi baixar os vídeos de caminhões de controle remoto que ele gosta para um tablet e levar para o hospital. Assim fizemos e por três dias oferecemos o tablet com esses vídeos e alguns outros vídeos dele próprio gravados e editados pelo vovô desde que nasceu.

tec - tio tato

Assistindo aos vídeos com o tio

Antes disso, o contato de Filipe com aparelhos tecnológicos era muito restrito. Assistia a um ou dois desenhos por semana enquanto eu me arrumava para sair, um ou outro vídeo de caminhão com o vovô de maneira bem esporádica. O resultado de três dias de exposição maciça à tecnologia foi uma criança extremamente irritada e com distúrbios do sono. Depois de alguns segundos assistindo aos vídeos ele começava a gritar: “Não, troca!”. E mesmo trocando, nem bem começava o vídeo escolhido por ele e já ouvíamos gritos e tapas no tablet. Ora, Filipe é uma criança dócil que se comunica sem violência e aquele comportamento nos pareceu muito estranho. À noite, dormir era uma batalha. Coçava os olhos, bocejava, “chamava o sono” fechando as pálpebras, mas não conseguia dormir. Levávamos duas horas entre mamadas e massagens para que ele adormecesse e quando isso acontecia, tinha inúmeros pesadelos até o amanhecer.

No quarto dia me toquei que tinha algo muito errado e que, talvez, o excesso de exposição a aparelhos tecnológicos estivesse causando o efeito contrário do esperado. Fui pra casa determinada a buscar alternativas e, com a ajuda de outras mães do grupo Montessori para mamães, voltei para o hospital com várias ideias. Acertamos que quem estivesse cuidando de Filipe não ofereceria o tablet, mas tentaria entretê-lo com outras coisas quando ele pedisse por ele e evitaria atender a ligações, acessar as redes sociais ou ligar a TV. A proposta era brincar com o Filipe ou, pelo menos, estar ao lado dele enquanto ele brincava sozinho. E o resultado foi surpreendente!

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Usando os livros e travesseiros para fazer rampas, pontes e túneis

tec - desmontar e montar

Brinquedos de desmontar. Depois de desmontadas, as partes dos brinquedos eram usadas na invenção de outras brincadeiras. Aqui os bichos estavam comendo os parafusos do trator desmontado. Tudo pensado por Filipe.

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Os copos de papel serviram para empilhar e depois para guardar os carrinhos.

tec - coloris

A bandeja de alimentação foi usada para fazer uma pista de corrida com fita crepe e também para desenhar.

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Botões de cores diversas para separar nos potinhos. Depois esses botões viraram comidinha no conjunto de panelinhas.

tec - botoes 4

Ganhei até um colar de botões feito em parceria com a vovó e usando um fio dental para aparelho ortodôntico.

Além das atividades das fotos, tivemos palitos de madeira coloridos para separar em cores, kit médico com estetoscópio, termômetro e seringa pra ele examinar os profissionais de saúde que o atendiam, livros de histórias, blocos de encaixar e outros. Todos usados em suas funções originais e adaptados pelo próprio Filipe para outros fins.

No primeiro dia sem aparelhos tecnológicos o sono chegou mais rápido e foi tranquilo. No segundo dia a irritação desapareceu e tivemos de volta nosso pequeno brincante e alegre. E eu, como mãe, percebi o quanto ele se sentia mais seguro dessa forma e o como eu estava desconectada do meu filho e da sua dor nos primeiros dias. A internet está cheia de artigos sobre os malefícios dos estímulos visuais em telas para o desenvolvimento das crianças, mas nossa vida corrida sempre nos leva a justificar o uso delas para entreter os pequenos enquanto fazemos alguma outra atividade necessária.

O que aprendi em oito, dos doze dias de internamento, foi que elas não são assim tão necessárias, mas que é preciso um pouco de criatividade e de disponibilidade para encontrar alternativas. Não ligo mais a TV para distraí-lo enquanto me arrumo, mas ofereço algum brinquedo, começo a brincadeira e ele continua. Tenho tentado incluí-lo nos afazeres domésticos, dando a ele comandos simples de ações que é capaz de fazer como guardar coisas em determinado lugar, colocar e retirar utensílios da mesa antes e depois das refeições, picar (ou pelo menos tentar) uma fruta macia enquanto preparo algum alimento, enfim, estamos progredindo sem a ajuda da TV, do tablet e do celular, mas com muita criatividade, resiliência e coragem.

Que tal aproveitar a semana mundial do brincar para experimentar também outras formas de entretenimento?

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2 comentários sobre “Para ter criatividade, resiliência e coragem é preciso brincar!

  1. É um grande desafio, mas é algo q temos q tentar, lendo as suas observações percebi que é exatamente o que acontece com meu filho de 6 anos.. tenho q tirá – lo da TV com urgência! Valeu pelo alerta!

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