Escolher e assumir

Fazia quatro meses que Filipe havia desmamado naturalmente à noite e dormia direto. Foi o post de inauguração do blog, lembra? (se não leu pode ver aqui) Comemorei e vibrei por ter conseguido respeitar o tempo dele.

Acontece que nada na maternidade parece ser permanente e depois da internação, as mamadas noturnas voltaram com tudo! Várias e várias vezes por noite… E agora, com o bônus da gestação avançando, amamentar deitada de lado por muito tempo tem sido desafiador. Pra completar, Filipe mama acariciando a barriga. Seria lindo se isso não acordasse o bebê de dentro! Quando ele finalmente solta o peito e eu penso em dormir alguém começa um samba!!

Enfim, relendo meus escritos me deparei com esse texto, postado no Facebook em 26 de novembro de 2014. Na verdade eu já estava grávida, mas ainda não tinha confirmado e a sensibilidade nos seios para amamentar era gigantesca. Revivi o momento e a clareza com que passei por ele veio à tona. Resolvi compartilhar novamente aqui, pra refrescar a minha memória e ajudar outras tantas mães que, assim como eu, continuam descobrindo que nossa capacidade de superação costuma ser bem maior que a que imaginamos.

escolher e assumir

Foto de Carol Lube – Kuara Fotografia

“Gosto de postar aqui meus aprendizados sobre maternagem porque realmente estou cansada desse discurso pessimista em relação aos filhos que tanto me prejudicou no processo de formação da minha família.

Acontece que maternar com amor e respeito pela cria não é um caminho de pétalas de rosas como muita gente (especialmente as não mães) acaba achando só pela leitura dos posts.

Ser uma mãe apegada demanda, além da compreensão dos processos de desenvolvimento infantil, uma mega dose de altruísmo e de consciência.

Eu trabalho com papel e com pessoas. Lido diariamente com a burocracia dos serviços públicos de Salvador. Me canso, me estresso, me irrito, respiro fundo, tento de novo, e sempre, sempre tenho papéis na minha mesa numa fila interminável de pendências. Meu trabalho não é mecânico, não repito a mesma coisa todo dia. Ao contrário, sempre me deparo com situações desconhecidas paras as quais preciso encontrar solução.

Acontece que meu bebê de quase 16 meses não sabe de nada disso. O trabalho dele é desenvolver-se, aprender, descobrir, crescer. E esse trabalho também é árduo. Ele se empenha, pensa, tenta, erra, encontra soluções para situações novas e diferentes e assim vai se formando enquanto gente.

Nesse processo de desenvolvimento, Filipe também se cansa, se irrita, se enfada. Às vezes até sente dor, como é o caso dos 4 dentes que resolveram aparecer de uma só vez e com eles trouxeram um enorme desconforto, um pouco de febre e uma necessidade louca de morder e sugar.

A questão de maternar com respeito e entendimento está centrada na escolha que faremos em relação à essas demandas. Eu realmente preciso dormir para produzir no dia seguinte, mas meu filho realmente precisa mamar para se confortar em picos de crescimento, desenvolvimento ou em processos fisiológicos como o dos dentes. 

Eu escolhi não dar chupeta nem leite artificial porque tive acesso a informações que me mostraram os riscos dessas escolhas. Escolhi não usar nenhum método de treinamento para fazê-lo dormir ao estilo Super Nani, em que a criança é deixada chorando para “aprender” porque também sei das consequências negativas desse tipo de técnica do abandono. 

Foram todas escolhas conscientes, respaldadas por informações científicas e não por senso comum e que me trazem agora a responsabilidade de agir com coerência. 

Já são 6 noites sem dormir, apenas cochilando.
Sim, eu tô um bagaço. 
Sim, tá difícil demais render no trabalho.
Sim, eu desejo com toda minha alma dormir uma noite inteira.
Sim, eu penso em desmame noturno, mas não acho que deva fazer agora.
Sim, dá vontade de desistir, ir pra outro quarto e deixar ele berrando.
Sim, minhas pernas amanhecem enrijecidas porque durmo com elas encolhidas pra facilitar a amamentação.

MAS

Sim, eu continuo feliz e fazendo isso com amor.
Sim, eu sei que isso é fase e vai passar. Que esses dentinhos e outros mais nascerão e as noites voltarão a ser mais leves, com mamadas mais rápidas e menos frequentes.
Sim, ele vai aprender a dormir a noite inteira sem que tenha sido deixado desamparado, ainda que demoremos mais pra chegar nesse dia.
Sim, eu vou sentir muitas saudades dessa fase de bezerrinho, mas não terei do que me arrepender. 

No final, com informação ou sem informação, com consciência ou sem ela, com apego ou desapegada, a maternidade sempre será um desafio para toda mulher. As diferenças estarão sempre nas escolhas que fizermos e nas consequências que elas trarão à formação de sujeitos. Toda mãe deseja que seus filhos sejam gentis, amorosos e respeitadores. Suas escolhas tem um papel importantíssimo na formação deles. Pense nisso e faça escolhas mais conscientes e coerentes com seu objetivo final.

Agora me vou porque a noite promete!”

Relendo o texto me dei conta de que o escrevi na sexta noite de mamadas infindáveis e me lembro agora que foram 22 no total e eu sobrevivi! Que venham mais quantas forem necessárias!

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