Depois da dor, o amor – O nascimento de Filipe

Ontem compartilhei aqui a experiência do encontro com a dor a dois anos atrás (leia em O parto, a dor e a vida que pulsa) e muitas vezes a confirmação de que dói amedronta quem ainda não se decidiu por viver ou não esse momento, mas deixa eu te contar que, depois da dor existe uma outra experiência, tão mais intensa que ela e essa sim, inesquecível.

Diferente de tudo que eu imaginava, Filipe não nasceu em meio à dor. Ela cessou com o rompimento artificial da bolsa de águas. Eu planejava um parto totalmente natural, mas consenti com essa intervenção por acreditar que, naquele momento, isso poderia ser benéfico. Minha bexiga estava super dilatada, eu não conseguia fazer xixi e ela competia com a cabeça de Filipe no canal vaginal. Além disso, havia se formado um bolsão de líquido entre a membrana da bolsa e a cabeça do bebê, fazendo pressão contrária à descida. Ele nasceria sem o rompimento, mas a sugestão da obstetra me pareceu pertinente.

Para minha surpresa, assim que a bolsa foi rompida, pouco depois da meia-noite do dia 29/07/13, a dor sumiu. Sentia apenas os puxos, mas aquela sensação de que me partiria em duas desapareceu. Decidi ficar na posição de cócoras apoiada, deixando todo meu peso nos ombros do meu marido (aí foi ele quem sentiu a dor do parto). E a cada contração sentia a cabeça do bebê descer um pouco. Numa delas toquei o cabelo. Estremeci! Ele estava ali, tão perto. Mais uma contração e toquei as orelhas. Êxtase! Marido trocou de lugar com a doula e entrou na piscina. Uma última contração e o bebê escorreu para as mãos hábeis de Dra. Sônia que o entregou ao pai.

Acho que nunca conseguirei descrever a onda de sensações que me invandiu quando Sadat o colocou em meus braços. Alívio, êxtase, alegria, potência, amor. Era tudo junto numa dimensão que nunca tinha vivido e talvez nunca mais experimente daquela maneira. Pensei que fosse chorar, mas não chorei. Era tudo superlativo, não cabia dentro de mim.

E Filipe não chorou aquele choro desesperado que tanto vemos em cenas de nascimento. Resmungou, chorou baixinho e se aconchegou em mim, me sentindo, me cheirando.

3 - o parto (40)

Foto de Kuara Fotografia

É essa a lembrança do parto que ficou gravada em mim. Não a da dor, mas a do nascimento, do toque, do cheiro, dos sons, dos olhares da equipe e, principalmente, do olhar do meu esposo. A lembrança eterna de que sou capaz de enfrentar meus medos e dores quando o destino é o amor, de que não estou sozinha nos grandes eventos da minha vida, mas ao lado daquele a quem escolhi amar, de que meu filho saiu de mim para mim, com respeito, no tempo dele.

Ainda hoje me estremeço ao lembrar de tudo. Foi tão intenso que me esqueci de olhar o sexo que havíamos optado por não saber durante a gestação. Depois do nascimento, acho que levei uns 5 ou 10 minutos para me lembrar de olhar. Foi quando fomos cortar o cordão que abri as perninhas e vi que aquele bebê que carreguei por 41 semanas em meu ventre e que trabalhou junto comigo pra nascer era Filipe. O menino que potencializou em nossas vidas a alegria e o amor que experimentamos há dois anos. Hoje é dia dele, meu, do pai, de toda a família. Parabéns meu Pipinho, que sua presença na vida de todos seja sempre sinônimo de amor.

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