Conectar-se a quem realmente importa

Depois de 20 dias de sumiço, eis-me de volta! Não, não fiquei ausente por causa da demanda de 2 crianças, mas por uma necessidade de introspecção.

Desde o advento dos smartphones a vida da gente ganhou, ou melhor, perdeu muita coisa. Tá tudo ali, na palma da mão: acesso à informação, canal direto com familiares e amigos, o mundo tão pertinho… Só que a gente anda perdendo o bom senso, trocando o real pelo virtual, deixando de viver a experiência pra registrá-la e assistir o re-play depois.

Eu tenho me incomodado com isso faz tempo, desde antes de engravidar do Filipe, mas aquele tipo de incômodo que não motiva uma mudança real.

Fiz inúmeras tentativas de diminuir o uso, mas todas falharam. Conseguia por um período e depois lá estava eu plugada novamente.

Como em todo vício a tendência é depender cada vez mais dele, cheguei ao cúmulo de levar o celular para o banheiro!!!!!

Com o nascimento de João e os amáveis 2 anos de Filipe, a necessidade de atenção do mais velho aumentou muito. É um momento de insegurança pra ele e sentir que ainda é amado é vital. Comecei a perceber que todas as crises de ciúmes aconteciam quando nós adultos estávamos ao celular (falando, mandando mensagens, assistindo ou lendo alguma coisa).

Observei que Filipe fala a mesma coisa três vezes até que um de nós que está ao celular ouça o que ele diz. Isso é assustador! Comecei a pensar em como eu iria ensinar meus filhos a usar as tecnologias de maneira consciente se eu não consigo fazer o mesmo. A me colocar no lugar de um menino de 2 anos que vê os adultos o tempo todo olhando pra uma tela ao invés de se olharem nos olhos.

Percebi também que gastava o pouco tempo que tinha para descansar ficando online e, mesmo quando desligava o telefone, a mente parecia não parar de processar tanta informação.

Já li muito sobre os efeitos desse tipo de mal uso das tecnologias. Palestrei sobre o tema no II Congresso de Pais na Graça. Reconheci que estava excedendo, mas nada era forte o suficiente para me fazer desconectar. Até que assisti a esse vídeo de Filipe com meu pai: Atenção e Participação (é só clicar para assistir)

Perdi a conta de quantas vezes revi o vídeo e as palavras do Filipe ficaram gravadas na minha mente: “desliga o telefone“.

Foi então que desliguei. Por ele, por João, pelo Sadat, por mim. Meus filhos nunca mais viverão essa fase novamente. Os sorrisos que eu perder jamais serão recuperados. Os gritinhos e balbucios de João, as conversas, as invenções e as brincadeiras de Filipe, a cumplicidade com meu marido. Não há grupo ou atualização de status que compense essas perdas. Estar conectada é muito bom, mas é melhor ainda quando a conexão ocorre com quem realmente importa.

AmSF8H4z25EQc1vKI70avMxxBzQYLIMzMJO2LDlEgh57O passo agora será mais lento, mas sempre No passo dos meninos, porque é por eles e com eles que minha vida ganha novos contornos. E se eu demorar a responder alguma mensagem ou comentário, me imagine rolando no chão, dando risadas ou amamentando. Assim ficará mais fácil aguardar a resposta.

 

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