Introdução Alimentar – princípios

Tá aí um dos temas que mais suscita dúvidas e angústias nas famílias: introdução alimentar (IA). Quando começar, com o que, quantas vezes por dia, em que quantidade, o que evitar e mais uma lista de perguntas permeiam as rodas de conversas de mães.

Acabei de iniciar a IA com João e gostaria muito de dividir com vocês a experiência que estou tendo com ele e a que tive com Filipe há 2 anos atrás, mas antes de falar dessas questões mais práticas, acho super importante compartilhar o princípio que norteia todo o nosso processo aqui em casa.

Eu acredito, e minha crença é validada por estudos sérios, que o leite materno ou a fórmula, na ausência deste, é a principal fonte de nutrição da crianças até os 12 meses e que toda a alimentação além deste, será complementar. Depois do primeiro ano de vida, essa equação se inverte, passando o leite materno/fórmula a complementar a alimentação.

leite materno nutrientes

Entretanto, na sociedade em que vivemos, acreditar no potencial nutritivo do leite materno não é tarefa fácil. Somos constantemente bombardeadas por informações do tipo “não tive leite”, “meu leite é fraco”, “meu leite não sustenta”, “esse menino tá chorando de fome”, “dê um mingau pra essa criança dormir a noite toda”, “desmame pra ele poder comer”, “esse menino só quer peito, assim não vai comer nunca”, e por aí vai…

Se não acreditarmos na capacidade do nosso corpo fornecer o alimento ideal para a nossa espécie e não tivermos o apoio necessário para uma amamentação bem sucedida, a introdução alimentar será considerada a “tábua de salvação” para uma nutrição “deficiente” até aqui por ter contado “apenas” com leite materno (essa é a ideia errada que predomina). E assumindo esse papel, ela tratá uma carga gigantesca de expectativas que não corresponderão à realidade.

Se eu construo uma história de empoderamento durante os primeiros meses de vida do bebê, tendo segurança de que esse leite (materno ou fórmula) será a principal fonte de nutrição da criança, eu consigo aceitar que a introdução alimentar não tem papel principal de nutrir, mas de apresentar ao bebê outras formas de se alimentar.

Com esse enfoque, é possível entender a IA como uma experiência sensorial em que o bebê descobrirá novos aromas, cores, sabores e texturas e, como consequência do processo, começará a se nutrir de outras fontes também.

Pensando assim, pouco importa a quantidade que o bebê come em cada refeição ou a quantidade de refeições por dia porque o foco não é matar a fome, mas conhecer os alimentos.

Aqui em casa tivemos duas experiências diferentes. Comecei a IA de Filipe aos seis meses e meio. Ele amou a parte de brincar, morder, se lambuzar e jogar comida no chão, mas só começou a ingerir em quantidades significativas por volta dos 9/10 meses. Enquanto esse momento não chegou, a amamentação continuou em livre demanda e o coração tranquilo pois ele estava bem nutrido.

Já com João, foram apenas 3 dias de estranhamento. Depois disso, comida pra dentro no maior apetite. Mas nem por isso reduzimos a oferta de leite materno.

Na introdução alimentar o bebê não pode estar com fome próximo às refeições ou ficará irritado e não aceitará nada. Veja, ele não sabe que comida mata fome. Isso só será aprendido mais tarde. Então nada de negar o peito pra ver se come um pouco mais!

Também não é indicado suspender uma mamada após a refeição, mesmo que ele tenha comido bem. Ofereça o leite. Se ele aceitar bem. Se não estiver com fome, certamente negará.

frutas e leite materno

“Mas Ívina, ele comeu uma banana inteira e ainda assim vai tomar leite?” Achei mais fácil colocar a informação na tabela pra você tirar suas conclusões. As informações são de uma banana prata média comparada a 200ml de leite materno (quantidade normal para uma toma aos 6 meses do bebê):

tabela banana leite materno

Não dá pra substituir uma mamada por uma fruta gente! Seria privar o bebê dos nutrientes e da energia que ele tanto precisa nessa fase. E se pensar em legumes, aí que não rola mesmo. Um pires de brócolis tem 15kcal, 3 colheres de sopa de abóbora 25 kcal! Percebem que não são substituições equivalentes?

Então o princípio básico da Introdução Alimentar deveria ser: leite materno como principal fonte de nutrição, independente da quantidade de novos alimentos que o bebê aceitar.

E um segundo princípio seria: menos expectativas e mais leveza. Não compare a quantidade que seu bebê come com a quantidade consumida por outras crianças. Isso não quer dizer nada. Eles estão em fase de introdução! O nome já diz tudo. Cada um terá um ritmo de aceitação diferente porque são indivíduos diferentes! E não importa se o bebê só começar a comer lá pelos 10 meses. Provavelmente, por volta dos 3 anos todos comerão em quantidades semelhantes.

Nunca, nunquinha force seu bebê a comer. É um tiro no pé. Só vai criar rejeição pela comida. Conheço bebês que choram só em ver o cadeirão pois sabem que ali é o lugar da tortura, mas vamos tratar de quantidades em outro post .

O que realmente importa é que esse seja um momento agradável para o bebê e para a família. Sem pressão, mas com curtição. Que seja lúdico, melado e sempre respeitoso.

E na sua casa, como foi ou como tem sido? Conta pra gente! Vamos dividir as experiências.

Abaixo uma seleção com as melhores expressões dos meus pitocos conhecendo novos sabores.

Filipe:

João:

0aa704ee-d156-49b5-96a0-f5860427cc801ec1367f-36b7-4391-b2aa-67fcdd1bbf12

Fontes da tabela:

Site Dieta e Saúde

Site Tua Saúde

Blog Bromatologia em Saúde

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s