O menino e o vovô

Em tempos de telefones ligados às redes sociais com mensagens apitando todo o tempo, conectar-se com as crianças parece ser um grande desafio. Os estímulos da vida adulta acabam criando uma barreira entre os cuidadores e os pequenos e nos impedem de desfrutar de uma relação mais intensa e verdadeira com eles.

Adentrar o universo infantil como se parte dele fosse é tarefa comumente atribuída a profissionais da arte ou da educação, que contam histórias e confabulam com as crianças, misturando-se a elas e obtendo delas as reações mais espontâneas e autênticas possíveis.

Todavia, deveria ser no seio familiar que esses eventos ocorressem com maior frequência e intensidade.

Nas palavras do meu pai, “brincando, a criança apreende o mundo a sua volta, o mundo em que está imersa e no qual edificará sua vida. A participação do adulto é importante para socialização e aquisição de parâmetros. Entrar no universo da criança é fundamental: de simples brincadeiras podem nascer bons, saudáveis e duradouros frutos.”

Eu confesso que, para mim, não é automático entrar nesse universo. Consigo em algumas atividades, como contar histórias e brincar de cozinhar, mas em outras me sinto um pouco desconectada.

Já meu pai… ah, o vovô Salviano… esse tem uma capacidade de se fazer criança com os pequenos que é encantadora. Não desenvolveu agora. Ela existe muito antes de Filipe. Foi assim comigo e agora se repete numa intensidade ainda maior. Não sei se pela disponibilidade de tempo, ou se pela condição de avô, ou se pela maturidade que a vida lhe proporcionou. Fato é que, a relação de meu pai com Filipe é daquelas que a gente não encontra palavras pra descrever.

Lipe-6967

Filipe e vovô Salviano em suas brincadeiras. Foto de Kuara Fotografia

A maneira como brincam juntos, desligados desse mundo, num universo que é só deles e de mais ninguém me faz estremecer. A cumplicidade, os olhares trocados, a doçura da voz de Filipe quando chama “vovozinho”…

Pudessem todas as crianças da terra ter um avô como ele ou pudessem todos os avôs da terra sentir um pouquinho do que ele sente… amor..

Amor que não se pede
Amor que não se mede
Que não se repete 

Não sei, será que não se repete? A chegada do segundo netinho está próxima. Um dia volto pra contar se a conexão é única ou se tem abertura para outras vertentes.

Por agora sigo contemplando o menino e o avô, numa simbiose mágica entre a infância e a velhice, o começo e o fim, onde as lacunas se completam, o todo se apresenta e o amor transborda!

PS – Clique aqui para assistir a um videozinho editado com carinho pelo vovô. Uma amostra de como são os dias na companhia do netinho.

Anúncios

2 comentários sobre “O menino e o vovô

  1. Coisa linda é ver uma criança vivendo uma infância como essa tão inocente e pura e principalmente ao lado do seu avô, parabéns Felipe…. Parabéns vovó… Por esse privilégio 👏👏

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s