Plano de parto – o que é e para que serve

Desde o início do blog, minhas postagens relacionadas a parto destacam o papel da mulher como protagonista do processo que, em condições normais, é um evento fisiológico e natural e não médico.

Contudo, o modelo obstétrico brasileiro de atendimento ao parto ainda não está configurado para enxergar essa mulher como tendo um papel principal na cena do parto. Muitos profissionais realizam, de maneira rotineira, inúmeras intervenções durante o trabalho de parto sem participar a parturiente das razões, dos riscos e dos benefícios.

É muito comum ouvir relatos de gestantes que, no início do pré-natal, ao indagarem os obstetras assistentes sobre o parto receberem como resposta algo do tipo “não vamos falar disso agora, deixe que do parto cuido eu.” Esse tipo de profissional está deixando claro que, a figura de poder e decisão em relação ao evento é ele e não a mulher que pari.

Nesse sentido, um plano de parto elaborado com critério é uma excelente ferramenta para que a gestante se aproprie do processo e abra uma janela de comunicação com sua equipe assistente, a fim de reconhecer quais são os limites dos profissionais que a acompanham.

E o que é o plano de parto? É uma carta ou uma lista dos desejos da mulher em torno do seu parto, desde o início da assistência (se for hospitalar, desde a admissão) até a finalização desta (alta). A prática é recomendada pela OMS (Organização Mundial de Saúde), mas ainda não muito praticada no Brasil.

plano de parto

imagem da internet

Ao elaborar um plano de parto, é importante que a gestante obtenha informações sobre cada um dos procedimentos de rotina realizados num trabalho de parto, tais como lavagem intestinal, raspagem de pelos, posições, uso de soro, “corte do períneo” (episiotomia), entre tantos outros.

E onde conseguir esse tipo de informação? Vivemos uma época privilegiada em que o conhecimento é acessível bastando um pouco de investimento de tempo para buscar e filtrar informações com bases científicas. Entender as razões de cada procedimento, suas recomendações, riscos e benefícios, é essencial para decidir se deseja ou não que ele seja praticado.

Elaborar um plano de parto não é copiar um modelo pronto da internet, colocar seu nome e imprimir. É apoderar-se da informação, decidir sobre o seu parto e o seu corpo e ter coragem de discutir essas questões com seu obstetra, percebendo nessa conversa quais são os limites desse profissional e se tais limites atendem às suas expectativas em relação ao parto.

Para mulheres que tem como projeto parir pelo SUS ou com o plantonista da maternidade conveniada, o plano de parto assume um caráter ainda mais importante pois dará ao profissional assistente a possibilidade de entender quais são as expectativas daquela parturiente que ele acaba de conhecer.

Mas veja bem, redigir um plano de parto não lhe dá garantias de que ele será integralmente executado! Em parte porque o parto é um evento da ordem do imponderável, podendo haver necessidade real de mudança de planos e, estar aberta e preparada para tanto também faz parte do processo. Além disso, não é todo profissional de assistência obstétrica que respeita o que está apresentado no documento porque seus valores de atendimento ainda não estão focados na figura da mulher.

Eu tenho duas experiências com plano de parto. O que elaborei na primeira gestação foi um compilado de diversos modelos da internet. É extenso e minucioso. Juntei tudo que achei que pudesse caber no plano. Apresentei à obstetra que me acompanhava, tirei algumas dúvidas mas não discuti com ela ponto a ponto levantando as reais indicações do que estava aceito ou declinado. Hoje, quando leio esse plano de parto, percebo que ele é o reflexo de uma mulher amedrontada e insegura depois de passar por dois obstetras cesaristas. Era como se, através daquela lista, eu tentasse me defender de toda e qualquer intervenção.

E aí veio o parto, completamente diferente de tudo o que eu havia idealizado. Com demandas que não estavam contempladas no plano e sobre as quais, na verdade, eu sequer havia pensado. Já mencionei no relato do nascimento de Filipe – Depois da dor, o amor que tive a bolsa rompida. Meu desejo inicial era de um parto totalmente natural, sem nenhuma intervenção, mas a condução da obstetra, discutindo comigo os benefícios do procedimento naquele momento do parto e as razões dela o estar sugerindo me permitiram confiar.

Nessa segunda gestação, o plano assume um papel diferente. Existe uma maturidade maior de minha parte em relação aos benefícios de algumas intervenções quando bem aplicadas e uma relação de confiança com a equipe que me permitem relaxar e desfrutar mais do processo. Claro que desejaria um parto sem intervenções, conhecido como “hands off”, mas se ele não for possível, fico tranquila em aceitá-las.

Pra você que gesta e ainda não elaborou o seu, sugiro alguns sites com boas informações sobre o plano de parto e explicações sobre as intervenções.

Amigas do parto – Plano de parto – O que é, porque fazer, como escrever e modelo

Instituto Nascer

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