O tempo de nascer

“Tudo tem o seu tempo determinado,

e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.

Há tempo de nascer, e tempo de morrer;

tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;

Tempo de matar, e tempo de curar;

tempo de derrubar, e tempo de edificar;

Tempo de chorar, e tempo de rir;

tempo de prantear, e tempo de dançar;

Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras;

tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar;

Tempo de buscar, e tempo de perder;

tempo de guardar, e tempo de lançar fora;

Tempo de rasgar, e tempo de coser;

tempo de estar calado, e tempo de falar;

Tempo de amar, e tempo de odiar;

tempo de guerra, e tempo de paz.

Eclesiastes 3:1-8

Ontem conversava com minha mãe sobre a difícil tarefa de esperar e como ela não tem mais espaço na sociedade da pressa.

Queremos tudo pronto, rápido, programado e com o menor esforço possível para alcançar esse resultado.

Somos a geração incapaz de esperar 40 segundos pra aquecer um prato de comida no microondas. Apertamos a tecla CANCELA quando faltam apenas três. Nos irritamos com os 5 segundos de comercial antes de poder rodar um vídeo no YouTube. Não conseguimos aguardar um elevador sem apertar o botão mais de uma vez.

Isso pra não falar em relacionamentos. Queremos relações maduras desde o primeiro mês, sem ter tempo ou viver situações pra construir a intimidade necessária à esse resultado.

A pressa nos faz perder a oportunidade de aprender durante o processo. Produz irritação, inquietação, frustração, angústia…

E no fim, pressa e impaciência não alteram de maneira significativa o tempo que levamos para alcançar determinado resultado, mas alteram drasticamente o estado emocional com que chegamos lá.

Tenho tomado doses diárias do antídoto contra a pressa: paciência e esperança.

Confesso que há semanas durmo toda noite pensando que aquela é a noite da chegada do bebê e, ao perceber que o dia amanheceu e nada aconteceu, um sentimento de frustração teima em brotar.

Respiro fundo, me espreguiço, levanto e suspiro. Agradeço a Deus por mais um dia pra curtir a barriga e a calmaria da casa.

E os dias são bons, suaves, gostosos de serem vividos na companhia dos meus pais e, especialmente, na de Filipe que está amando ter a mamainha à disposição.

Aceitar que não se tem controle sobre boa parte ou quase nenhuma parte dos processos de formação de um indivíduo nos prepara para uma maternidade menos ansiosa e insegura.

Se nos rendermos à pressa na gestação, definindo prazos ou marcando a data de nascimento dos bebês, nos frustraremos um pouco mais adiante ao constatamos que não há métrica nem regra pra ganho de peso, tempo de mamada, aceitação de alimentos sólidos, pra engatinhar, andar, falar, desfraldar e por aí vai.

Cada bebê é único e tem seu próprio tempo. E isso precisa ser reconhecido e respeitado desde a gestação.

Não, não é fácil. Muito menos automático. É um cultivo diário, um esforço de deixar seguir sem tentar controlar, de desfrutar da paisagem enquanto se caminha, de ser guia, de reduzir o passo. É andar No passo nos meninos

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“Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as suas misericórdias são inesgotáveis.
Renovam-se cada manhã; grande é a tua fidelidade!”
Lamentações 3:22,23

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