Óleo de massagem com essência de empatia

Depois de uma rodada de sling para adormecer João, eis que na casa imperam o silêncio e a calmaria…

Espera, silêncio e calmaria com uma criança de 2 anos acordada? Para tudo que tem alguma coisa errada!

Deixo João na cama e vou procurar Filipe. Eis que o encontro em seu quarto, com um frasquinho na mão, pacotes de algodão espalhados, uma meleira de óleo de massagem pra todo lado e o sorriso mais sapeca do mundo acompanhado da confissão:

– Pipe encontrou o negocinho e tá apertando pra sair o óleo!

Mãos na cabeça, respiração profunda, passa um filme:

Hoje foi dia de faxina, a casa tava limpa e por sinal foi o último dia da faxineira que tá saindo pra correr atrás de um sonho e eu não tenho substituta!

Eu comprei esse óleo 100% vegetal pra fazer shantala em João e ele serviu pra untar o chão do quarto!

Eu to cansada, acabei de apagar o menor e achei que a noite tava ganha!

Eu vou esganar esse menino!!!!!!!!

Não, respira de novo, mais uma vez, suspira, respira, suspira…

– Oh Lord!!!!! – finalmente uma expressão! – preciso de uma força tarefa. Alguém?

Limpei o quarto sob o olhar atento do artista e expliquei que para mexer no óleo de massagem precisava de ajuda de um adulto, que só era usado pra fazer massagem e não podia espalhar no chão. Geralmente ele limpa as sujeiras que faz, mas como era óleo dessa vez ele não limpou. Tive receio dele escorregar.

Enquanto esfregava a bucha no chão pensava no quão difícil é conter nosso ímpeto de reagir violentamente face às peripécias dos pequenos.

Quando escolhi educar meus filhos a partir de uma disciplina positiva, empática, não sabia o tamanho do desafio que estava assumindo.

Primeiro porque não há parâmetro pra isso. Quem foi criado levando palmadas, correadas e ficando de castigo tem pouca referência de como fazer diferente.

Não, não sou traumatizada e tão pouco culpo meus pais pela maneira como me educaram. Fizeram o que sabiam, da melhor forma que sabiam e com muito amor, apesar das correções com violência.

Mas não era esse tipo de educação que eu queria. Entendendo a criança como uma pessoa, um indivíduo digno de respeito assim como qualquer outro, não cabia nenhum tipo de violência na formação dos meus filhos, uma vez que não uso esses recursos em minhas relações com outros adultos.

Mas se não vai bater ou colocar de castigo, como vai educar? É a pergunta que me fazem e que eu também me faço.

Tenho me esforçado para avaliar a situação pela perspectiva da criança antes de reagir a partir dos meus instintos. Crianças não são seres tiranos que fazem as “artes” com o intuito deliberado de nos torturar! São pessoas descobrindo suas habilidades e o mundo ao seu redor, são seres em formação e em constante aprendizado. Aprendem, inclusive, a controlar suas emoções quando nós adultos demonstramos controlar as nossas.

Continuo tendo vontade de sacudir e gritar quando vivêncio experiências como as de hoje ou do dia em que ele jogou meu celular no vaso sanitário, mas como diz uma querida amiga, a gente pode sacudir uma almofada e gritar para as paredes quando a coisa aperta…

É tarefa fácil? Nunca! Pelo contrário, tem sido um enorme desafio, mas sigo colhendo os frutos dessa escolha, tanto ao ver o desenvolvimento emocional em Filipe, que cresce seguro e feliz, quanto em mim que me educo nessa jornada.

O brinde do evento de hoje foi uma sessão de massagem. Vovó fez em Filipe e ele fez em mim, no pai e no “mi imão”. Teríamos vivido esses momentos de carinho se eu tivesse “esganado” Filipe como tive vontade? Certamente não. Teríamos uma noite tensa com criança chorando e adulto contrariado.

A essência de empatia fez toda diferença nesse óleo de massagem…

O óleo é da Pura Chuva, mas a essência… essa você precisa procurar dentro de você. Garanto que encontra!

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