Mãe de segunda viagem

A chegada de um segundo filho, assim como do primeiro, muda bastante nossas percepções em relação à maternidade.

É tudo muito diferente afinal, são pessoas diferentes envolvidas. Filipe e João não são iguais assim como a mãe de João não é a mesma mãe de Filipe. Sou outra mulher e isso é fato. Dois anos de maternidade me transformaram mais que qualquer outro evento na minha vida.

Mas ao mesmo tempo em que observo as diferenças, há muita coisa semelhante. Eu ando meio contadora de histórias e as parábolas são, na minha opinião, a melhor maneira de permitir que alguém entenda algo que ainda não viveu.

Então hoje vamos de parábola novamente.

Imagine que você está com sua primeira viagem internacional marcada. Você e seu marido vão sozinhos, sem guia ou agência e não falam a língua local. Vocês se preparam, leem relatos, livros, guias especializados. Montam um roteiro, tentam aprender o básico do idioma do lugar e embarcam.

Mesmo com toda preparação, ao desembarcar do avião o frio na barriga é inevitável. Tentar se comunicar, um enorme desafio. Insegurança, talvez até um pouco de angústia e aflição por não conseguir entender o que as pessoas falam ou fazer com que entendam vocês. Os passeios acontecem, mas nem todos são lindos e maravilhosos como os das fotos. Ao vivo a coisa é mais crua. Descobrem que levaram o triplo de bagagem necessária, apesar de terem seguido à risca as orientações da previsão do tempo. Vocês tiram um milhão de fotos, mesmo as dos lugares maios ou menos e certamente não contarão aos colegas menos próximos as partes ruins da viagem. Tudo é muito novo, excitante, diferente e às vezes apavorante.

Então surge a oportunidade de voltar àquele país. Não é mais necessário ler todos os guias de viagem e relatos de quem já visitou o lugar afinal, vocês já estiveram lá. Vocês não levam um absurdo de bagagem pois já conhecem o clima. Já sabem os melhores lugares para frequentar e, certamente, evitarão ou tentarão evitar aqueles de que não gostaram. Provavelmente tirarão poucas fotos pois a intenção principal será curtir e não registrar. Pode ser que nem façam roteiro e se permitam viver cada dia livremente. O detalhe desapercebido dessa viagem é que, por já dominarem o idioma, vocês não percebem que a língua local agora é outra! Desembarcam preparados para falar inglês e descobrem que agora todos falam apenas alemão!!!!!!!

e3977ebc-4723-47aa-bd8f-4563e3af7dc9Sinto a mesma coisa em relação a ser mãe de segunda viagem. Conheço os lugares. Sei onde estou pisando. Não carrego comigo mais tantas inseguranças. Não sinto que preciso ler milhões de coisas. Ao contrário, me sinto mais preparada, serena e aberta para desfrutar intensamente esse momento sem me ater a receitas ou fórmulas de como ou o quê fazer. A questão é que tenho que aprender uma outra língua, a língua do João. Ele não fala o mesmo idioma de Filipe, não é parecido com o irmão e nem deve ser. Ele é João, outro bebê, outra pessoa, com outra personalidade, com outra relação comigo. Preciso me tornar bilíngue para que essa viagem seja prazerosa e esse é um dos desafios das mães de dois ou mais filhos. Descobrir que língua cada um deles fala e comunicar-se com eles de maneira mais fácil. Assim, cada viagem será inesquecível à sua maneira.

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