Terror noturno

A cena é assustadora:

terror noturno

Pouco depois de dormir a criança começa a gritar como se estivesse com uma dor alucinante ou em pânico por algo que você não sabe e não viu. Um dos pais corre sobressaltado e encontra o filho sentado na cama, com os olhos abertos e chorando ou gritando descontroladamente. Nada do que ele faça ou diga parece minimizar a situação. A criança não se conecta, não responde, não aceita ser tocada e, a cada tentativa dos pais de acalmá-la, ela grita/chora em tom mais alto.

As palavras que melhor descrevem o que sentimos nos primeiros eventos é: DESESPERO e IMPOTÊNCIA!

Confesso que, mesmo depois de viver episódios recorrentes com Filipe por mais de um ano, cogitei levar João à emergência por duas vezes quando ele teve os dele. Numa delas, cheguei a trocar de roupa e arrumar a mochila para sair.

Depois de tentar tudo para acalmar a criança e não ter sucesso, a conclusão à que chegamos é: essa criança está com dor. Tem alguma coisa muito errada dentro dela e só num pronto atendimento conseguiremos descobrir!

Se você já viveu isso, sabe exatamente do que estou falando. Talvez não conheça o nome, mas descreveria com perfeição a mesma cena.

Estamos falando de Terror Noturno. Um distúrbio do sono que acomete cerca de 3% das crianças e é mais comum entre 2 e 5 anos, podendo ocorrer antes ou depois dessa faixa com menor frequência.

Ocorre, geralmente, no início da noite, no primeiro e mais profundo sono. Diferente do pesadelo, que é mais comum no último sono.

Nos episódios, que podem durar segundos ou até 15 minutos, a criança não acorda, mas seu corpo reage a uma situação de medo intenso com sintomas como taquicardia, dificuldade de respirar, contração muscular, transpiração intensa, dilatação da pupila.

Ela pode manter os olhos abertos, mas permanecer desorientada e confusa, sem responder aos estímulos provocados.

Geralmente voltam a dormir na sequência e não se lembram de nada no dia seguinte.

As causas ainda são desconhecidas, mas alguns fatores aumentam a incidência tais como: super estimulação durante o dia, quebra da rotina do sono, ansiedade, chegada de um irmãozinho, desfralde, alimentos de difícil digestão ingeridos perto da hora de dormir, febre.

Aqui em casa vivemos o combo: dois anos + chegada do irmão mais novo + quebra da rotina pela nova configuração familiar + desfralde = 1 ano de terror noturno intenso e frequente.

Algo do tipo 5 em 7 noites na semana e, em várias delas, mais de um episódio. Foi uma loucura! Confesso que depois de um tempo a gente não apavora junto. Fica ali do lado sentado, esperando a coisa toda acabar e o menino desligar como que por mágica e voltar a dormir como se nada tivesse acontecido.

Pesquisei sobre o assunto, troquei ideias com famílias que viviam situação semelhante e cheguei a algumas conclusões.

O tratamento é de caráter preventivo:

  • Manter ao máximo a rotina do sono;
  • Evitar atividades estimulantes no período que antecede o sono;
  • Evitar alimentos de difícil digestão antes de dormir;
  • Levar a criança em processo de desfralde para fazer xixi antes de dormir;
  • Eliminar do quarto elementos que possam ferir a criança durante as crises (brinquedos pelo chão, quinas) ou inserir elementos de segurança, como grades, acolchoados para a cabeceira da cama, etc;

Durante a crise:

  • Permanecer próximo o suficiente para intervir, mas intervindo o mínimo possível;
  • Resguardar a segurança física da criança;
  • Não tentar a acordar o menino pois costuma agravar a reação;
  • Oferecer água;
  • Oferecer de fazer xixi (para crianças em processo de desfralde).

Além dessas posturas, uma coisa que comecei a fazer depois de me lembrar de 1 Samuel 16:23, foi sussurrar salmos de Davi em canções. Era um ato de fé que me trazia paz e fazia com que as crises terminassem mais rapido. Aqui elas eram looooongas chegando a durar 15 minutos.

A ideia dos salmos veio quando me lembrei da passagem Bíblica em que “Davi tocava a harpa e Saul se acalmava quando era acometido por um espírito mau.

Em minha oração pedia a Deus que a mesma unção que acalmava Saul através da harpa de Davi, também acalentasse meu filho através dos salmos cantados.

Aos 4 anos e 10 meses, os episódios de TN com Filipe restringem-se às noites de febre enquanto João, com 2 anos e 9 meses ainda tem crises quando saímos muito da rotina, mas são bem menos frequentes que as que Filipe tinha na mesma idade. Talvez porque o contexto seja completamente diferente.

Enfim, se um conselho pode ser dado, esse é: mantenha a calma para conter a criança apenas em caso de risco de se machuca e também para permanecer serena até que a crise acabe.

Ps – esqueci de contar, mas fizemos um programa na Nossa Rádio Salvador a respeito do tema. Se quiser saber mais veja aqui no canal do YouTube

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