Parto domiciliar – mas por que em casa?

Falei aqui sobre o que é um parto domiciliar (Parto domiciliar – o que é) e como preparar a casa para um é simples (Parto domiciliar – preparando a casa), mas porque ter um bebê em casa? Para muitos pode parece ser um retrocesso nos avanços da medicina e nas conquistas que o serviço de saúde tem a oferecer.

Vou te contar um pouco do nosso caminho pra chegar a um parto domiciliar planejado. Talvez por ele você entenda nossos motivos.

Eu sempre desejei um parto normal e comecei a pesquisar sobre o assunto antes de engravidar. Três sites, em especial, começaram a clarear pra mim os motivos de tantas amigas, que também desejavam parto normal, terem terminado em cesáreas. Indico a leitura deles:

Amigas do Parto

Parto no Brasil

Parto do Princípio

Procurei um grupo de apoio à gestação e parto na minha cidade, mas só consegui começar a frequentar no 4° mês de gestação. Até ali eu ainda acreditava que era possível ter um parto normal acompanhada de um obstetra do meu plano de saúde. Já escrevi sobre isso aqui no blog e as chances são de alguém conseguir essa proeza são, na maioria, menores que 10% (Parto normal pelo plano de saúde – isso existe?). Já havia passado por mais de um obstetra e não me sentia segura de que ele respeitaria meu desejo.

Frequentar o Roda Viva, grupo de apoio de Salvador que hoje se chama Coaracy (veja o site aqui), foi como acender uma luz num caminho escuro. Lá soube da possibilidade de ter o bebê numa casa de parto. Em Salvador temos o CPN – Centro de Parto Normal Marieta de Souza Pereira, um projeto da Rede Cegonha, pelo SUS, abrigado pela Mansão do Caminho.

Aos 4 meses de gestação já havíamos decidido, meu marido e eu, que parir pelo SUS, no CPN, era mais seguro do que arriscar um parto pelo plano de saúde e sermos enganados pelo obstetra fofinho, ou seja, super educado, mas que não abria mão do poder de decisão no parto. Um dia conto aqui como chegamos à conclusão de que ele não nos deixaria parir da maneira que desejávamos.

No 6° mês abandonei o obstetra do plano e continuei meu pré-natal com uma obstetra assumidamente comprometida com a humanização do parto (já falei sobre humanização no post o que é parto domiciliar). Nosso plano era fazer o pré-natal com ela e parir no CPN.

Continuamos a frequentar o grupo de apoio e ali conhecemos outros casais que haviam optado por ter o bebê em casa. Confesso que, a princípio, nos pareceu estranho, mas ouvir os relatos de parto foi tornando a ideia cada vez mais natural.

Umas das questões que mais me tocou foi a dos procedimentos com o recém-nascido. O meu plano B para o caso de não poder ser admitida no CPN era parir em um dos hospitais do meu plano de saúde sendo assistida pela minha obstetra. Mas fui descobrindo que esse hospital mantinha as práticas mais condenáveis em relação ao recém-nascido, sem que elas pudessem ser negociadas. Um exemplo é a separação da mãe e do bebê após o nascimento. Nesse hospital, os bebês ficam de 4 a 6 horas em observação no berçário, contrariando todas as orientações de órgãos nacionais e internacionais de saúde, que preveem alojamento conjunto a fm de favorecer o vínculo e facilitar a amamentação.

No 8° mês perguntei ao Sadat o que ele achava de ter o bebê em casa certa de que a resposta seria negativa e, para minha surpresa, ele se mostrou interessado. Fizemos um sem número de perguntas à obstetra sobre valores, segurança, como seria, o que deveríamos providenciar e fomos pra casa ruminar todas as informações.

A primeira coisa a se pensar foi como pagar. Ninguém que custeia um plano de saúde por anos está disposto a pagar por assistência médica particular, mas eu tinha uma poupança com o objetivo de viajar e topei investir esse dinheiro na maior viagem da minha vida.

Depois, chegamos à conclusão que as questões de segurança nos satisfaziam. Os riscos entre o parto domiciliar bem assistido e o parto hospitalar eram semelhantes e que, nós dois, nos sentíamos mais seguros e confortáveis em casa que num hospital.

Na consulta da 36ª semana batemos o martelo e decidimos por um parto domiciliar. Foi o tempo de preparamos as coisas, contarmos pra parte da família (isso vale um post!!!!) e aguardarmos o tempo do bebê, que só veio às 41 semanas.

E a experiência foi MARAVILHOSA! Parir em casa, cercada apenas das pessoas que escolhemos, numa tranquilidade absurda, sem intervenções e rotinas hospitalares, comer minha comida, tomar banho no meu banheiro, não precisar me deslocar pra canto nenhum, mas, principalmente, ter meu bebê comigo o tempo todo tornaram o nascimento de Filipe ainda mais prazeroso.

Nessa segunda gestação já não havia dúvidas. Desde antes da concepção já havíamos decido que um segundo filho também nasceria em casa e agora, com uma justificativa à mais: a possibilidade de Filipe acompanhar o nascimento do(a) irmão(ã).

visita domiciliar

Filipe participando de uma visita domiciliar pré-parto com o obstetra e a enfermeira obstetra

Enfim, escolhemos parir em casa porque acreditamos no parto como um evento familiar, natural, fisiológico e seguro quando bem assistido. Essa é uma opção para a maioria das pessoas? Não e nem deve ser. Cada família se sentirá segura num local: hospital, casa de parto ou em casa.

Nosso desejo é que, em qualquer desses três espaços, elas sejam respeitadas, que o nascimento seja assistido com base em evidências científicas e não em rotinas engessadas; que sejam oferecidos métodos de alívio pra dor não-farmacológicos e farmacológicos, quando este for o desejo da mulher; que a mulher seja tratada com dignidade e não sofra violência obstétrica; que acreditem no capacidade dessa gestante de parir; que os bebês não sejam separados de suas mães, nem sofram procedimentos invasivos desnecessários.

Desejamos que nascer seja natural, prazeroso e normal, assim como foi para nós!

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