Aos irmãos que acabaram de nascer

Depois de 7 meses de caos, as crias estão entrando numa rotina bacana. João dorme às 18:20 e Filipe, no máximo, às 20 horas. E nesse intervalo, Filipe curte me ajudar com os afazeres da casa de maneira que, quando dorme, já não tenho serviço nenhum pra dar conta. Viva!

Com esse tempinho precioso, pude retomar o blog e voltar a escrever. Mais um viva! E foi nessa retomada que, vasculhando minha lista infindável de rascunhos, encontrei um texto que escrevi no dia 04 de setembro de 2015, dia seguinte ao nascimento de João.

Minha gente, o texto é tipo a voz de um oráculo. Ali, no calor do momento, contemplando meus pupilos, eu não fazia ideia do que os meses seguintes me reservavam. Ainda cultivava aquela visão romântica e idealizada de que bastava preparar Filipe para a chegada de um irmão que ele seria super receptivo, carinhoso e amoroso com quem nascesse (leia mais em Gestando um irmão mais velho).

Hahaha, sabia de nada, inocente! A vida real chegou mostrando que, em se tratando de comportamento humano, nada é previsível e que sentir não é errado. Difícil é não saber o que fazer com grandes sentimentos, especialmente quando só se tem dois anos de idade (leia mais em O irmão mais velho e a segunda esposa e O irmão mais velho e o eclipse solar).

Mas vamos ao texto.

Filipe e João,

joao e filipe parto

#PraCegoVer: João no colo de Filipe logo após o nascimento. A expressão de Filipe é de estranhamento.

 

Vocês ainda não se deram conta, mas acabaram de iniciar uma das relações mais intensas e profundas que o ser humano pode experimentar. Na última quinta-feira, 03 de setembro, vocês nasceram um para o outro como irmãos.

Não há escolha para esse tipo de laço. Ele existe a partir do momento em que o outro vem e talvez por isso seja essa uma relação tão rica e complexa ao mesmo tempo. Conviver com o outro quando não há opção de se apartar nos faz cultivar a tolerância, a paciência, o perdão e o domínio próprio. Virtudes extremamente necessárias para seus relacionamentos vindouros.

Haverá tempos de amor, mas também de enfrentamento. Sejam genuínos. Expressem suas angústias e aprendam a acolhê-las. Amor não é a ausência de conflitos, mas a condução deles de maneira respeitosa.

Muitas vezes será preciso suportar até que o outro encontre também seu equilíbrio, como nos ensina o autor de Efésios.

“Com toda a humildade e mansidão, com longanimidade (paciência), suportando-vos uns aos outros em amor, procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz.”
Efésios 4:2,3

Vocês perceberão o quão diferentes já são (e serão) um do outro. Essas diferenças servirão para marcar a individualidade de cada um e isso é bom. São elas que enriquecem a vida e a tornam bela, multifacetada, diversa.

Que não sejam apenas os gens que carregam, o ventre que os gerou, os seios em que mamaram ou o sobrenome pelo qual serão conhecidos as pontes entre vocês. Meu desejo é que cresçam e descubram que, para além da fraternidade, existe uma possibilidade ainda mais rica: a amizade. Faremos o nosso melhor para que esses dois elos, vinculados pela paz, conectem vocês por toda a vida e os façam lembrar de nós e dos nossos princípios quando aqui não estivermos mais.

Mamãe

 

joao e filipe nb2

#PraCegoVer: Filipe de fraldas deitado de bruços sobre uma manta e João, com 15 dias de nascido, apoiado nas costas do irmão com os braços cruzados e os olhinhos fechados. A diferença de cor entre os dois é absurda. Filipe dourado e João branco avermelhado.

Crédito das fotos: Kuara Fotografia

 

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