Introdução alimentar – quantidades e frequência

Eis um dos assuntos mais obscuros da maternidade: a quantidade de comida que um bebê/criança deveria comer.

Já escrevi sobre o sonho de toda mãe do peito vir com marcador de mililitros (se não leu, clique aqui), mas isso não é garantia de tranquilidade, uma vez que as mães que oferecem mamadeira vivem os mesmo conflitos. A gente já entra nessa neura assim que eles nascem: quanto será que mamou? Será que foi suficiente? Chorou de novo, ofereço mais peito/mamadeira?

A livre demanda é indicada tanto para aleitamento materno quanto para uso de mamadeira. A regra é oferecer o leite sempre que o bebê demonstrar fome e, com o passar dos meses, a gente vai aprendendo a decifrar esses sinais.

Quando chega a hora de introduzir a alimentação complementar o princípio por trás da livre demanda, que é a capacidade do bebê se auto-regular, deve valer também.

QUANTIDADE

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João comendo até o prato

Quanto de comida devo oferecer na primeira vez? O quanto de comida o bebê aceitar! Resolveu começar com uma banana? Ok. O bebê aceitou metade e ainda demonstrar querer mais? Ofereça mais. Ele comeu só um quarto e já está rejeitando? Pare de oferecer. Ele comeu uma banana inteira e ainda quer mais? Ofereça mais um pouco.

Mas como vou saber que ele está rejeitando? Simples, não tente enganá-lo para oferecer comida. Não faça aviãozinho, trenzinho ou qualquer outra brincadeira pra que ele abra a boca; não o distraia com desenhos na TV, tablet, celular ou brinquedinhos; não esteja você também distraída com outra coisa. Sintonize-se com o bebê e observe sua linguagem corporal. Quando ele não quiser mais comer vai girar a cabeça de um lado pro outro, ou coçar os olhos, ou bater a mão na comida ou na colher, ou chorar, ou querer sair do lugar em que estiver, ou mais de uma dessas reações.

Uma boa dica é não tentar oferecer comida ao bebê que está com sono ou com muita fome. Melhor ajudá-lo a dormir ou oferecer o leite para acalmá-lo. Bebês não conseguem comer nessas situações.

E se ele comer só um pouquinho e quiser tomar leite? Lembra dos princípios (se não leu, leia aqui)? Ofereça o leite lembrando-se que ele (materno ou fórmula) ainda é a principal fonte de nutrição do bebê.

Naturalmente, as primeiras refeições poderão ter uma quantidade maior de desperdício, mas isso vai se ajustando na medida em que a IA prosseguir e você conhecer melhor o apetite do seu bebê. Mas tenha em mente que não existe um padrão na quantidade ingerida.

Você come exatamente a mesma quantidade todos os dias? Claro que não. Há dias em que a fome está maior, outros menor. Há dias em que preferimos mais carboidratos, outros em que ficamos loucos por mais proteína. O mesmo vai acontecer com o bebê. O apetite dele vai variar muito, especialmente em períodos de picos de crescimento (ainda não falei sobre isso, mas “dê um google” se quiser saber).

E nunca, nunquinha compare a quantidade que seu filho come com a que o filho da amiga come ou ela diz que ele come. Tenha em mente que pessoas diferentes tem metabolismos diferentes e comem em quantidades e ritmos diferentes. Um chiuaua nunca comerá a mesma quantidade que come um pastor alemão e ninguém se incomoda com isso, certo? Então desencane das comparações!

FREQUÊNCIA

E quantas refeições devo oferecer por dia? Começo com uma, duas, três? Quais?

Eu sou da turma que defende: quantas você quiser. Mais uma vez, estamos falando de INTRODUÇÃO alimentar. Primeiros contatos do bebê com outro tipo de alimentação além do leite. Quer começar só com uma fruta? Ok. Quer oferecer uma fruta de manhã, almoço e uma fruta de tarde? Ok. Quer incluir a janta também? Ok.

Essa não é uma questão relevante nesse momento. Vai depender da sua disponibilidade e da aceitação do bebê!

Aqui em casa a janta só entrou no cardápio de Filipe perto de um ano e João vai pelo mesmo caminho. O motivo? Eles dormem muito cedo nessa fase. João dorme às 18:20. Não dá tempo de jantar! Ele almoça, dorme, come uma fruta ou pedaço de pão/biscoito de arroz, mama quando eu chego do trabalho e, antes que esteja com fome novamente já está bocejando. Eu já tentei, mas é impossível fazer o menino comer pingando de sono.

Desjejum também só entrou no cardápio depois de um ano. O motivo? Filipe mamava ainda na cama e João segue o mesmo ritmo.

Com João tive uma peculiaridade. Ele come como um mini-ogro e já na segunda semana de IA reduziu a ingesta de leite materno ordenhado de 600ml para 100ml durante a minha ausência. Minha mãe oferecia depois das refeições e ele, de barriga cheia, não aceitava. Ao invés de comemorar, eu fiz alterações. Para mim, importa que ele mame mais do que coma! Agora minha mãe oferece o leite uns 40 minutos antes de cada refeição. Ele toma e depois come. Não oferece mais 200ml por vez, reduzimos para 100ml e ele toma entre 70 e 100ml.

Há dias, como ontem, em que não aceitou o leite, quis comer. Temos nos esforçado para respeitá-lo e encontrar o equilíbrio entre o leite e os demais alimentos.

Mas como vou saber que o que ele está comendo é o suficiente Ívina? A resposta é uma questão de fé. É preciso acreditar que eles sabem regular a própria fome. Toda criança com fome é capaz de demonstrar isso se ela não estiver extremamente desconectada de si mesma. Crianças/adolescentes que passam horas à fio assistindo desenhos ou jogando de fato entram num estado em que seus sentidos são anestesiados: não sentem fome ou vontade de ir ao banheiro, por exemplo. Mas em condições normais, até um bebê é capaz de comunicar ao cuidador suas necessidades e também sua saciedade.

Nunca force um bebê a comer porque ele não comeu o que você achava necessário! Além de não ter êxito (quem tentou já sabe que não há no mundo o que os faça engolir quando não querem), você vai criar na criança uma resistência à comida. Há bebês que choram desesperados quando veem o cadeirão ou o pratinho de comida, outros que até abrem a boca, mas cospem toda a comida no cuidador e alguns que, resignados, engolem a comida , mas estarão anulando sua capacidade de se auto-regular e isso terá consequências por toda a vida adulta (esse é o assunto do próximo post).

Resumindo, quanto menos regras você tentar seguir relacionadas às quantidades e à frequência, mais fluido será o processo. Como dizem aqui na Bahia, se jogue e desfrute de uma etapa que pode ser extremamente prazerosa!

 

 

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