Amamentação e volta ao trabalho – parte V – até quando ordenhar

Depois de tantos assuntos sobre amamentação e volta ao trabalho, hoje é dia de encerrar a série falando de duas questões importantes. A primeira é quando o leite armazenado fica rançoso, o que não é comum, mas pode acontecer e a segunda, é por quanto tempo será necessário manter a rotina de ordenha.

Leite rançoso

Existem mulheres que produzem uma quantidade maior de uma enzima chamada lipase, que faz com que o leite armazenado fique rançoso, com cheiro de azedo. Para saber se é seu caso, congele uma porção de leite e descongele alguns dias depois para testar. Se estiver cheirando forte, como um ranço, será necessário desprezar tudo o que foi congelado. Portanto, o ideal é fazer esse teste logo no começo do estoque.

Nesses casos, a solução será “escaldar” o leite antes de congelar. Dá um pouquinho a mais de trabalho, mas é possível. Aqueça o leite materno numa panela exclusiva para esse uso até começar a fazer bolhinhas na lateral, mas sem deixar ferver. Resfrie imediatamente com água fria por fora e só depois congele.

Após esse processo a tendência é que o leite não altere cheiro ou sabor. Ele vai perder um pouco das propriedades nutricionais por causa do aquecimento, mas ainda assim será mais nutritivo que a fórmula.

Agora não confunda leite rançoso com leite contaminado. Na minha rotina de ordenha tive alguns episódios em que, ao descongelar o leite, percebia-se que ele estava “talhado” e, quando provava, sim eu provava meu leite, estava azedo. Mas isso era devido a alguma contaminação no processo de ordenha ou de armazenagem. Por isso eu preferia deixar um pote de leite descongelado e um outro com o leite ordenhado naquela manhã. Caso houvesse algum incidente meus pais usavam o fresco e desprezavam o descongelado.

Até quando ordenhar?

Até quando o bebê demonstrar precisar desse leite. Não existe prazo pré-estabelecido. O aleitamento materno exclusivo é indicado até o sexto mês, mas isso não significa que com seis meses e um dia o bebê vai comer outras coisas e se satisfazer com elas.

A introdução alimentar tem a função de apresentar ao bebê novos sabores e texturas, mas o leite materno continuará sendo a principal fonte de nutrição do bebê até os 12 meses e, após isso, será um excelente complemento à alimentação.

Negar ao bebê o leite materno em livre demanda na esperança de que, assim, ele coma mais outros alimentos é interferir num processo que deve ser conduzido pelo bebê, na medida em que estiver pronto para tal substituição.

Dá trabalho, sim? Mas é possível e, se essa é a sua escolha, vá em frente. Se informe e cerque-se de pessoas que lhe apoiem. Seu bebê agradece.

Pra encerrar, deixo com vocês o relato da minha experiência de ordenhar por quase 10 meses.

Publicado no Facebook em 12 de setembro de 2014

“Apresento a vocês essa que foi minha fiel companheira nos últimos 9 meses e meio: minha bombinha de tirar leite! bombinha
Comecei a ordenhar um mês antes de voltar ao trabalho, quando Filipe tinha 4 meses. 
O primeiro mês foi uma enorme decepção: mama super cheia e apenas 5ml de leite extraídos!!! Frustração e desespero eram os sentimentos da vez. Como ia conseguir um estoque descente com míseros 5 ml??????
Persisti, busquei ajuda em grupos de apoio no Facebook e continuei a ordenha diária religiosamente. 
De 5 em 5ml fui enchendo os vidrinhos e meu corpo foi entendendo que precisava produzir mais leite: para o bebê mamar e para o estoque. 
Depois de um mês, quando terminou minha licença, já conseguia ordenhar 150ml logo pela manhã e mais uma ordenha no final da tarde, antes de terminar o expediente. Era o suficiente para a demanda de Filipe, uma vez que eu tinha a possibilidade de ir almoçar na casa dos meus pais e amamentá-lo.
Vale ressaltar que as inúmeras mamadas noturnas, apesar de me cansarem, ajudaram bastante a manter a produção em alta. Como ele mamava muito à noite, o corpo entendia que precisava produzir muito leite para o dia também e assim consegui manter a produção mesmo estando separada dele por 9 horas.
Nesse ritmo, mantive o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês.
Acontece que a introdução alimentar aqui foi lenta e meus planos de diminuir a demanda por leite ordenhado por volta dos seis meses só se concretizaram por lá pelos nove, quando Filipe de fato começou a comer outros alimentos.
E segui ordenhando nos intervalos do trabalho, indo e vindo com uma bolsinha térmica, lavando e esterilizando bombinha e potes todas as noites e baixando leite do freezer para a geladeira numa rotina cansativa, mas prazerosa.
Houve uma época em que o copinho de leite da manhã não foi mais necessário, Filipe comia uma ou mais frutas e não sentia falta. Por volta dos 12 meses pude deixar de amamentar no almoço, pois a comidinha já o satisfazia.
E agora estamos numa fase em que há dias em que pede o leitinho no final da tarde e outros em que não demonstra interesse. Essa semana não tomou em nenhum dia, ou seja, estamos quase encerrando esse ciclo de ordenhas!!!!!
Acredito que o desmame é um processo que precisa ser conduzido pelo bebê. Assim como eles só se assentam, andam, falam e desfraldam quando estão prontos, só deveriam desmamar quando estivessem prontos. E essa prontidão não está relacionada apenas à questão nutritiva, mas também a emocional. Se fosse só por fome, Filipe não precisaria do leite durante o dia, pois se alimenta bem, mas parecia que no fim da tarde sentia falta da mãe e o leitinho era um conforto.
Não digo que foi fácil, pelo contrário, não foi. Exigiu esforço, disciplina, muuuuuuuuuuita paciência, apoio incondicional da família, flexibilidade no trabalho pra fazer as ordenhas (gastava 10 minutos) e, principalmente, ter um objetivo e uma razão.
Não desmereço quem opta pela fórmula (leite em pó). Bebês alimentados com fórmula também são bem nutridos. Foi uma questão de escolha. 
Eu escolhi oferecer apenas o meu leite, enquanto ele fosse necessário, mas isso teve e um preço que me dispus a pagar sem lamentações, mas focada nesse objetivo: nutrir meu bebê com o que eu, Ívina, considero melhor pra ele e possível pra mim.
Gratidão ao meu amado Sadat que tantas vezes ficou com Filipe enquanto eu ordenhava e tornou-se pós-graduado em esterilização e armazenamento de leite materno e aos vovôs Salviano e Solange, pela boa vontade em fazer algo que nunca haviam feito antes, em treinar Filipe a tomar leite em colher e depois em copo, a descongelar e oferecer leite materno todos os dias desses últimos nove meses. Foi um lindo trabalho em equipe!”

Perdeu algum post da série? Veja os outros aqui: parte I, parte II, parte III e parte IV

Ficou com dúvidas em relação a alguma informação? Deixe seu comentário que tentarei te ajudar.

Conseguiu manter o aleitamento materno exclusivo com uma rotina de ordenha? Conte pra gente como foi. Sua experiência pode ajudar e incentivar outras mães!

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